Introdução
Desde o princípio observamos que a vida do Cardeal Newman foi marcada pela fé em Deus, mais especificamente pelo Deus do Cristianismo; pois sua época (século XIX) foi um tempo em que a Igreja Católica, e também as Protestantes, tinham poder espiritual e temporal sobre as populações, tanto na Europa, como na América. Além de sua imensa fé, dom recebido de Deus, talvez para sua futura missão religiosa; foi dotado de uma inteligência rara, pois viveu para os estudos, sendo toda sua vida da adolescência à fase adulta, marcada pelo academicismo. Foi primeiro Protestante, certamente por influência familiar, para depois se converter ao catolicismo.
Desenvolvimento
Newman foi muito sensível aos problemas humanos. Foi um defensor dos mais necessitados, ou seja, ligando sua vida religiosa ao cotidiano humano, coisa que poucos fazem. Foi Anglicano, Calvinista e Católico. Não via com bons olhos a Reforma Protestante. E textualmente cita à página 70: "(...) a Reforma protestante, longe de ser renovação, era a primeira etapa da desintegração da civilização cristã." Mas a Reforma, na opinião de historiadores, foi benéfica para a Igreja Católica, pois fez críticas necessárias para a reformulação da estrutura eclesial da Igreja, principalmente com a criação de Seminários para a formação de padres, prática inexistente até então, pois antes os cargos eclesiásticos eram políticos. Também provocou o fim das Indulgências, uma mancha difícil de apagar da História da Igreja Católica. O biografado conhece os males históricos de Roma, como a corrupção, mas não vê no Protestantismo um caminho certo, que o Catolicismo oferece através da obediência aos dogmas, mas não questiona a origem dos dogmas, mesmo quando contesta o arianismo. Suas informações históricas são importantes, principalmente sobre o nazismo, as Guerras Mundiais e ação do FBI no combate ao crime nos Estados Unidos. Não vê uma harmoniosa sociedade sem a presença do catolicismo.
Na Inglaterra contrai uma febre que o acompanha pela vida toda. Mas continua sua luta com pregações na Faculdade e publicações religiosas. À página 77 faz uma reflexão válida para os dias de hoje: "(...) ser religioso não é freqüentar os templos no domingo e viver pagãmente a semana". Segue o autor, colhendo informações de quem estudou com Newman em Oxford. Primeiro um historiador que faz um longo depoimento, inclusive comparando-o a Júlio César, em seu porte físico e em sua capacidade de convencimento, destacando seu lado simples para alguém que tinha amplo conhecimento dos problemas de sua época. Outros depoimentos realçam seu ideal cristão e sua diferença intelectual diante dos demais alunos da escola, e sua saída deixou um vazio nunca preenchido em qualidade. Seus sermões eram admiráveis e nunca superados. Em suas palavras destilavam simplicidade e rigor no saber, que deixavam os colegas admirados. Era como se Santo Agostinho tivesse voltado de sua época.
No longo Capítulo 3, Em Demanda de Roma; o autor busca o processo e as causas da conversão de Newman. Utiliza como um dos motivos suas ações inconscientes na infância. Utiliza a História como fonte verdadeira da Verdade, e para isto faz uma volta ao início do Cristianismo Primitivo e aos Grandes Padres da Igreja e seus escritos sobre a Doutrina Católica. Mostra que nunca houve um protestantismo antes de Lutero. Mas a História mostra que houve alguns nomes que combateram a Igreja Católica antes de Lutero e foram punidos com a morte, e Lutero não morreu assassinado porque teve o apoio dos Príncipes alemães que desejavam as terras da Igreja, pois afinal a Igreja Católica era dona de 2/3 de todas as terras da Europa. Veja texto abaixo:
Interessante notar como o autor e Newman recorrem à História, para explicar que apenas a Bíblia tradicional não é infalível em questão de fé, pois necessita da presença de outros textos e explicações sobre sua infalibilidade, daí as Encíclicas Papais. Oferece o texto informações importantes sobre a formação do texto bíblico, citando que existem vários evangelhos e cartas do inicio do Cristianismo, e a Igreja escolheu aqueles que para seus estudiosos eram os inspirados para dar início ao caminho que deveria ser seguido pela Igreja Católica sem desvios. Valorizam os primeiros Padres da Igreja nesse processo na criação da unidade da fé cristã. E um questionamento se segue: Além das Escrituras nada mais foi revelado? (Página 119).

