segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

As Origens do Mal - Fabio Blanco


 Apresentação

Já no início do livro, o autor mostra o cerne da obra: "Precisamos combater o marxismo cultural". Além de conhecer as origens do Comunismo, que para minha surpresa é filho do Capitalismo, pois foram os grandes empresários capitalistas dos Estados Unidos e da Inglaterra que financiaram com vultosas somas a Revolução Bolchevique para combater o Czarismo, esperando, também, um grande retorno financeiro que, na verdade, aconteceu, inclusive com pagamentos em ouro. Até os governos americanos e ingleses tiveram participação. Lembro das minhas aulas de Geografia na década de 1980, em que os livros informavam que existia um telefone vermelho na Casa Branca para contato entre o Presidente americano e o russo. E nossa ingenuidade nem ligava. O texto afirma que quem criou a União Soviética foram os governos capitalistas do Ocidente que hoje são perseguidos, com os esquerdistas buscando o fim desta cultura. É muita enganação nesta História Política. E ainda afirma, o texto do livro, que criaram um bode expiatório para condenar o Comunismo: as milhares de mortes cometidas pelo Comunismo ao longo de seus 70 anos; aliviando, é claro, os empresários capitalistas. Até a mídia, à época, usou de artimanhas para isentar os empresários. É o filho querendo matar o pai; é o que vemos hoje.

Desenvolvimento

O autor explica que ao invés de apontar os erros dos marxistas, sobre os quais existem muitas publicações, parte do que eles possuem de mais forte, ou seja, a tentativa de impor sua cultura aos indivíduos e sua capacidade de alterar sua forma de penetrarem na sociedade sem contrariar seus princípios, uma ação camaleônica. Mostra, de forma clara, como nossa geração foi educada sob os princípios socialistas, e não tínhamos informações deste fato, além da falta de publicações para o seu combate. Fiz uma Faculdade de História conservadora e dei aulas numa Educação socialista. Socialismo era nossa única leitura nas aulas e extraclasse. Mostra, o autor, como as influências marxistas se infiltraram em toda a sociedade, e como foram formadas as teorias marxistas ao longo da História; constrói uma pequena biografia de Marx, revelando sua genialidade filosófica. Mostra, o autor, que Lênin é um dos maiores gênios do Comunismo por seus escritos; que "O Capital" é o livro sagrado dos marxismo, pois mesmo sendo encontrados erros em seu texto, seus seguidores os justificam, assim como os cristãos com a Bíblia. Afirma o autor, que pelos constantes ataques sofridos pelos comunistas, e terem resistido até hoje, o sistema só pode ser uma quase-religião.

No século XIX todo pensamento teria de ser provado pela "ciência", contrariando a visão religiosa em que Deus tudo explicava. E o marxismo não foge à regra, criando sua doutrina científica para justificar suas ideias e ações, e se firmou, pois não aceitava nenhuma contradição ao seu pensamento, daí se tornou autoritário e se impôs até os dias de hoje. O autor fica admirado com esta permanência, principalmente no ambiente acadêmico. O Materialismo tornou-se o pensamento dominante e sem concorrente até hoje; este é o grande problema. Mas, na verdade, aliás como tudo na vida, o Marxismo é fruto de seu tempo, ou seja, o século XIX - um período de grandes descobertas científicas e de muitas ideias revolucionárias, portanto, Marx não apresentou nada novo, pois todo seu ideário já tinha sido experimentado por outros pensadores, apenas organizou o pensamento de sua época para atingir todas as áreas do conhecimento humano, da economia à religião, como afirma o autor.

O autor valoriza a Escola de Frankfurt como a responsável pela permanência da filosofia marxista até o século XXI, mesmo após todos os fracassos do Comunismo onde foi implantado. Defende um "espírito" marxista permanente nas sociedades em que este teve contato, não um espírito religioso, mas da mente marxista introduzida nas culturas, ou seja, em seus valores que lhes dão a justificativa teórica para viver. Estes valores são os valores humanos de justiça, igualdade, liberdade que nunca funcionaram na sociedade comunista. Ah! Esperança esta arma de nossos sonhos! Para o autor a filosofia marxista é que mantém este pensamento até hoje; reforça o que poucos sabem: que Marx foi Doutor em Filosofia, e fazia questão de divulgar este título para as autoridades. O lado econômico do marxismo é o que mais tem sido levado em conta, em detrimento do filosófico, este é o grande erro de quem combate o marxismo. E insiste o autor nesta visão filosófica do marxismo que vai muito além da política. É uma visão de mundo aprofundada sobre os mais variados aspectos, e esta sua característica lhe dá sua unidade, mesmo que produzida por vários filósofos.

A maior diferença entre a filosofia marxista e as demais ao longo da História, é que a primeira se preocupa com a transformação da realidade, daí a práxis, e não apenas com o conhecimento em si. Como aprendemos na escola, o objetivo da Filosofia é buscar as causas últimas de todas as coisas, afastando-se da realidade concreta. No século XIX este modelo de Filosofia estava sendo questionado pela sua falta de prática. Aí entra o Marxismo que alia a teoria à prática, ou seja, falando com os trabalhadores nas fábricas, mostrando a possibilidade de dias futuros melhores através da revolução, seu pioneiro não foi Marx, mas o francês Proudhon, que discursava aos trabalhadores ao som das máquinas. Pelo fato de ser a Filosofia um ato individual e investigativo, torna a Filosofia  Marxista quase uma antifilosofia, pois é quase dogmática ao sujeitar suas reflexões às ideias de Marx e Engels, logo, torna-se interpretativa, sendo que alguns marxistas conseguiram ir além. O filósofo marxista não tem liberdade para desvendar novos caminhos que não sejam as ideias de Marx e Engels. São partidários e diferentes dos demais filósofos que não se apegam a nenhuma teoria ou filósofo.

Para o marxismo tudo é material, e nada é espiritual. Mesmo nossos pensamentos e ideias são materiais de alguma forma. Por isto, o marxista não busca a salvação, mas a revolução. Para ele, o importante é o momento presente. O mundo não foi criado, pois a natureza sempre existiu e está sempre em movimento, portanto não precisa de uma energia externa. Tudo é material. O autor trata da dialética, não para buscar a verdade como os filósofos antigos, mas como geradora de novos conflitos permanentemente. A síntese gera uma nova síntese indefinidamente. E para o marxismo o homem só existe coletivamente dentro de um processo que exclui o individual e o espiritual, mesmo que prometa um Paraíso futuro para a humanidade. Não existe nada transcendente, como prega o Cristianismo, e este tem que acabar. Faz, o autor, uma evolução da Filosofia desde os tempos de Platão até Marx, para mostrar como a Metafísica foi abandonada pelo pensamento marxista para tratar só da realidade material.

O autor faz um estudo claro sobre o verdadeiro antagonista do marxismo. Não é o Capitalismo como a maioria pensa, mas o Idealismo dos séculos XVIII e XIX. Passa a identificar as principais ideias dos filósofos da época. Em resumo mostra que as ideias antecedem aos fatos materiais; como na escola estudamos as causas e consequências dos fatos. Os marxistas defendem o oposto, ou seja, que os bens materiais precedem às ideias. Interessante o fato mostrado pelo autor de que as Faculdades atuais poderiam ser chamadas de Faculdades Marxistas pelo fato da "contaminação" destas ideias no meio acadêmico. Numa arte, como a matéria-prima pode vir antes da produção artística? Sou artesão em madeira e conheço bem o processo de criação; primeiro a ideia depois vem o material usado e transformado.

O Marxismo combate toda nossa tradição histórica. Tudo está ultrapassado e não possuímos nada de essencial, pois tudo está em transformação. O antigo é obsoleto. Daí o combate dos filhos aos pais, pois estes são ultrapassados. Até o respeito que os jovens do passado tinham pelos mais velhos acabou; pois é resultado de uma visão marxista aprendida nas escolas. Não existe futuro para o ser, pois todos serão alterados. O que é novo agora será superado no futuro, coisa que os jovens marxistas não entendem. É a famosa dialética de Marx. O autor escreve muito claramente e de forma objetiva, como é seu estilo, sobre a questão do progresso, que aliás está em nossa Bandeira Nacional, que tem sua origem no Positivismo de Comte. Mostra que na visão dos marxistas, progresso é tudo que combate o antigo ou conservador. Para ser progressista tem que anular toda nossa cultura milenar, e só valorizar o que surgir de novo. E o engraçado, na minha opinião, é que a esquerda nunca cria nada de novo, apenas tenta destruir o que o passado produziu. Não tem um projeto, apenas a destruição do que já existe, esperando acontecer alguma novidade que nunca chega. É a tal renovação da síntese que nunca vem. Defendem liberdade, mas combatem o individualismo, defendendo o coletivo que anula por completo o indivíduo. A violência é o instrumento maior para a defesa do coletivo. Defendem a paz e  praticam a guerra em todos os momentos históricos.

O tema central do marxismo que se resume na chamada e idolatrada "luta de classes" é analisada pelo texto do livro. Mostra o autor que as diferenças de classes sociais sempre existiram ao longo da História. Até meados da Idade Média existia uma identificação de classe imutável, ou seja, não havia a possibilidade de mudança de classe, pois o nobre seria sempre nobre, e o mesmo acontecia com o camponês. Marx trabalha com esta visão. Mas o Capitalismo resolve esta questão com a Revolução Industrial, pois a partir daí o trabalhador poderia se enriquecer pelo seu trabalho e investimento, mesmo que as condições de trabalho fossem desgastantes, pois trabalhavam até 16 horas diárias, e não existiam nenhuma legislação trabalhista e sindicatos. Qual a solução encontrada para o marxismo continuar vivo? Trocar o proletário por todas as minorias. Resolvido o problema.

O autor é enfático ao afirmar que o "capitalismo não é perfeito", como diz textualmente: "(...) principalmente por não ser fruto de um planejamento centralizado." (Página 190). Mostra o autor que sempre vimos o empresário como "do mau" e o operário "do bem". Esta visão vem de ensinamentos marxistas das escolas no Brasil deste a década de 1980, mas não é o que diz a História em uma pesquisa isenta de ideologia. Empresários e trabalhadores podem ser maus ou bons. O texto mostra que as contradições são próprias da filosofia marxista, logo não adianta combatê-las. O raciocínio em busca da verdade é considerado retrógrado e superado. Se beneficiar do que combate, para os marxistas é perfeitamente normal. Dentro do Marxismo existe uma divisão entre os Revolucionários e os Reformistas. Os primeiros tratam a revolução como uma necessidade imediata diante de um quadro de decadência do Capitalismo favorável; e os Reformistas acreditam que o Socialismo pode acontecer dentro do Capitalismo em um processo evolutivo de reformas.

Interessante o estudo sobre as crises na sociedade capitalista, que aliás são normais; mas que muitas vezes são provocadas para se chegar ao caos tão sonhado pelo Socialismo. O ser humano reclama de tudo, mesmo quando tudo está bem, pois para muitos ainda falta alguma coisa, e o autor cita vários exemplos. Fator que ajuda os marxistas. Seria da natureza humana pensar sempre no lado negativo, ou até criá-lo? Parece que sim. Trata também da escatologia, ou seja, o fim dos tempos, para gerar um Paraíso. Pensamento defendido pelos marxistas e também pelas Igrejas. Isto tudo é uma mistura de crise e sonho. Na última parte do livro, o autor me fez lembrar das aulas de História na década de 1980, quando, entusiasmados, falávamos dos Modos de Produção, na visão marxista. Para todos nós era pura ciência o Materialismo Histórico, prometendo uma nova sociedade na terra; no futuro, é claro. Como os religiosos, mas com a plena intervenção divina, o que o Socialismo sempre excluiu. É a famosa afirmativa de Marx: "A religião é o ópio do povo." Mesmo as filosofias orientais expressam o Materialismo marxista, como a já conhecida Olística, pois preocupam-se com a saúde física e mental do homem na Terra ou no universo, sem nenhuma espiritualidade como a cristã.

O autor termina o livro mostrando como a filosofia marxista tem sobrevivido, ou seja, substituindo a Ditadura do Proletariado pelas minorias, pois os proletários estão satisfeitos em participar da relações capitalistas; situação que Marx não pôde imaginar. E, para isto combatem todos que discordam de suas ideias/matérias, chamando-os de fascistas, nazistas, genocidas...

O melhor livro sobre o tema que li, por sua clareza, objetividade e uma redação de ótimo escritor. Recomendo!

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