terça-feira, 28 de abril de 2026

O Terror Vermelho - As atrocidades da Revolução Russa


 

Introdução

No Prefácio e na Introdução do livro, é exposta um pouco da biografia do autor, que foi sempre um historiador, como seu pai de mesmo nome. Seu livro tem a autoridade de ser escrito por alguém que viveu intensamente o período da Revolução Russa e suas atrocidades, inclusive tendo sido preso oito vezes e condenado à morte, pena comutada por seu exílio. Foi um historiador com ampla produção histórica no período, sendo seu foco sempre a defesa das liberdades individuais e dos direitos das classes menos favorecidas.

Desenvolvimento

O autor começa o livro falando sobre os chamados reféns, que são as pessoas capturadas, e consequentemente assassinadas violentamente, inclusive mulheres, crianças e jovens, em represália pela tentativa do assassinato de Lênin. A partir daí começam os massacres por supostas mortes de líderes bolcheviques e opositores. Todas as mortes foram documentadas, mesmo com a declaração de um número inferior de execuções. O autor é rígido quanto ao uso de documentação e de testemunha ocular. O Terror Vermelho foi instituído em 1918, ou seja, no início da Revolução Russa. Seus dirigentes colocam a culpa dos extermínios às classes trabalhadoras, e o controle do governo passou a ser visto como o limitador da violência. Uma justificativa não comprovada pela extensa documentação em que os líderes no poder são seus autores. Os comunistas não assumem o que fazem até os dias de hoje. Outra atitude do governo comunista é viver uma eterna "Teoria da Conspiração" e o maior exemplo da época é quando um comandante do Exército Vermelho salva vários soldados russos em uma batalha, e ao invés de ser homenageado; ele é assassinado, pois a liderança imaginava que o mesmo iria se fortalecer e organizar um movimento contra os bolcheviques.

O livro faz um aterrorizante relato das matanças praticadas pelos Bolcheviques do ano de 1918 a 1924, período de governo de Lênin. As torturas e fuzilamentos continuam em todos os anos, como uma cópia da maldade disseminada entre os soldados russos. Era um prazer eliminar qualquer resquício de aparente oposição ao novo regime; aí incluía pessoas do próprio exército assassino. Quanto aos trabalhadores que prometiam proteger, faziam o contrário quando reivindicavam melhorias trabalhistas; eram eliminados em plenas greves. Foram divulgadas várias informações sobre o número de assassinados por pessoas que conviviam com esta realidade. Em um relatório um professor, conseguiu colocar o número de mortos por categorias profissionais. Em outro relato sobre métodos assassinos há uma informação de uma forma brutal de morte: colocavam um explosivo na garganta da pessoa condenada a morrer. É muita desumanidade!. E a guerra civil do início do governo bolchevique, não difere dos períodos posteriores de atrocidades seguintes, pois a violência foi institucionalizada como prática comum. O autor vale-se de muitos documentos e de depoimentos de sobreviventes do massacre. O próprio autor fica horrorizado com os relatos: "Eu teria ficado feliz em poupar os sentimentos do leitor a esse respeito. No entanto, devo citar alguns exemplos do quero dizer, mesmo que não sejam, em absoluto, os piores exemplos da fúria animal e humana." (Página 124).

As revoltas e ataques dos bolcheviques não se limitaram aos camponeses, que tinham a fama de combatentes por suas revoltas no Czarismo, mas também aos trabalhadores das indústrias. Os camponeses e operários não aceitaram os massacres de forma pacífica, pois também praticaram atos de violência contra os bolcheviques. Mas os bolcheviques enterraram seus mortos com as cerimônias tradicionais, enquanto o povo, na maioria do casos, nem viam seus parentes e amigos mortos. O autor continua citando muitos documentos da época divulgando as estatísticas de mortos por testemunhas oculares, e até dos canais oficiais, como jornais do governo. Os massacres praticados pelos Bolcheviques não tinham como alvo apenas a burguesia, mas todas as classes sociais. A Burguesia era apenas o bode expiatório. Os intelectuais foi uma classe muito visada pelos Bolcheviques nos levantamentos documentais.

Mesmo com as denúncias de países europeus sobre a prisão e tortura de presos políticos, a prática bolchevique não mudou. Continuaram as torturas e mortes com os métodos mais variados, além dos estupros coletivos que terminavam sempre com a morte das mulheres estupradas. Fico assustado como mulheres intelectuais hoje ainda defendem um regime desse para o nosso país. Seria falta de conhecimento ou a força da propaganda? Algumas torturas são de dar náuseas em quem conseguir ler estas páginas. É uma sucessão de atos muito mais variados e violentos do que os métodos nazistas. Mas, mesmo com a extrema crueldade das torturas comunistas no período de Lênin, estas ainda foram um pouco menos cruéis do que as crueldades dos séculos da Inquisição espanhola. (Página 185). 

A questão da definição de quem eram os opositores dos bolcheviques nunca é clara, daí a matança indiscriminada de cidadãos sem nenhuma consciência do motivo de suas mortes. A ideia sempre divulgada de que a burguesia era a inimiga dos bolcheviques nunca foi executada, pois a caracterização da classe nunca foi definida, nem de quem eram os capitalistas, também apontados como os inimigos do Comunismo. E os assassinatos cruéis continuam das formas mais variadas sobre toda a população. Camponeses, operários industriais, idosos, mulheres, crianças, intelectuais, eram todos inimigos do Estado. Talvez quisessem purificar o povo como fizeram os nazistas e ideologizar todo o restante da população. Interessante notar como as mulheres foram vítimas das atrocidades dos comunistas, mas também ocuparam o papel de carrascas do regime, e praticando atrocidades superiores às praticadas pelos homens. Algumas ficaram famosas por suas atrocidades e sadismo. Outro destaque entre os torturadores era o uso de droga como a cocaína, ainda na década de 1920. Esta prática se justifica pelo nível de violência praticado contra o ser humano, tanto é que muitos foram torturados pela memória de sua ação, chegando a consultar as Irmãs de Caridade que atendiam a Rússia no período. No período o autor faz um estudo dos principais torturadores, inclusive de um adolescente de 14 anos que se vangloriava de suas execuções entre os colegas.

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