Introdução
Resenhasdelivroshistóricos
Análise Crítica /Resumo
domingo, 17 de agosto de 2025
Os Bispos Católicos e a Ditadura Militar Brasileira - A Visão da Espionagem - Paulo César Gomes
Introdução
quarta-feira, 16 de julho de 2025
Esquerdismo, doença infantil do comunismo - Vladímir Ilitch Lênin
Introdução
Na Apresentação do livro, é explicado todo o processo de sua construção, pois foi na verdade, um texto de abertura da II Internacional Comunista acontecida em 1920. Lênin acompanhou toda sua produção na gráfica. A intenção era criar diretrizes para a expansão do comunismo para o mundo, logo trata de suas estratégias e táticas para tomar o poder mundial - uma espécie de "Bíblia" para orientação a seus seguidores em todos os países. Mas logo de início já perceberam que os trabalhadores não aderiram ao Comunismo, como esperavam e afirma o texto; mesmo que haja alguma discordância, o que é normal; "As expectativas que a liderança bolchevique tinha depositado no proletariado europeu de que, cumprindo sua 'missão histórica', ele correria para ajudar seus camaradas russos em dificuldade, sofreram um grande revés." (pág. 11). A Apresentação do livro é longa, expondo vários subtítulos para o desenvolvimento do pensamento de Lênin sobre a construção e evolução do Comunismo, realçando que a intenção de Lênin era a expansão do Comunismo pelo mundo, e para isto teria que fazer alianças com setores, para o que ele chama de "pequena burguesia", insistindo que os líderes da revolução teriam de fazer uma análise de conjuntura para a construção de acordos, e como o livro foi divulgado no Brasil em 2025, cita os casos de Cuba e Venezuela, onde o chamado imperialismo americano faz suas intervenções. Lênin, fazia críticas de suas próprias ideias, por isso, após a publicação de suas condições para a expansão da revolução, afirmou que, elas poderiam não realizar o resultado esperado, pois eram "russas até a medula." Vê o Marxismo não como um dogma, mas um guia para a ação, adaptado a uma realidade prática, a chamada práxis, coisa que as esquerdas não faziam e nem fazem hoje em dia, partindo apenas de teorias cartesianas positivas. Daí, o "infantilismo" das esquerdas. Lênin era um estrategista nato, via os detalhes das condições sociais de sua época. Mostra que os comunistas deveriam observar cada brecha, ou indecisões, para infiltrarem com suas ideias. Hoje tentam fazer isto, infiltrando em todas as instituições das nações, até no Vaticano, mesmo que as circunstâncias sejam outras. Sobre os erros do Partido Comunista, Lênin aponta dois muito importantes para os dias atuais, praticados pelas esquerdas, principalmente pelo PT, no Brasil, ou seja, só fazer coligações com partidos de mesma ideologia, situação que tem se modificado, talvez como consequência deste erro ou da perda de credibilidade popular; e não aceitar críticas aos erros cometidos em sua gestão. Lênin afirma que os erros devem ser avaliados e corrigidos, e nunca negados. Os partidos de esquerda no Brasil querem ser puros, livres de corrupção e outros males, e que apenas os partidos de direita promovem estes desvios. Quando questionados, desviam o assunto para aquilo que fizeram de melhor, mesmo que estas ações tenham sido um "tiro no pé", pois punem o próprio governo. Lênin vê a expansão do Comunismo como um processo em que o debate com a população se faça para conseguir seu apoio, e não por imposição governamental. Mas como sabemos impôs o Comunismo na Rússia praticando ampla violência contra seus opositores. Mas suas lições são importantes para os partidos de esquerda hoje, que são considerados infantis por Lênin, pois não conhecem a teoria e a prática comunistas; esquecem do estudo da realidade nacional e internacional para uma prática que provoque a tomada do poder por uma vanguarda e as massas populares conscientes.
Desenvolvimento
Já nos primeiros capítulos, Lênin insiste na Ditadura do Proletariado, que foi uma expressão criada por Marx, em uma de suas cartas. Nesta Ditadura do Proletariado aponta uma questão importante para o combate ao capitalismo e a burguesia: o fim das pequenas propriedades. Daí a origem das grandes Cooperativas agrícolas (Kolkhoses) e das fazendas estatais (Sovkhoses). Reforça que para a implantação desse novo governo, haverá muita luta, sofrimento, ação parlamentar e até terrorismo. Marca o início da luta partidária dos bolcheviques em 1903, gastando quinze anos para a implantação da revolução. Realça o poder do cizarismo e a persistência do partido nestes quinze anos, fator que nunca ocorreu ao longo da história. Revela a repetição do discurso, mas acha necessária esta prática. Mostra também que as lutas do partido são sempre diferentes em cada situação, logo exigem uma análise e estudo constantes de conjuntura. Lênin segue sua análise da situação política de sua época, num permanente elogio da ação e ideologia dos Bolcheviques, explica sua prática diferenciada dos demais partidos, dos quais dá vários nomes e significados, mas todos apontados como partidos reformistas e não revolucionários. Defende a prática dos Bolcheviques nos parlamentos, e de formas legais e ilegais para chegarem ao poder. Insiste na famosa luta de classes, em que os interesses são divergentes, e defende ostensivamente o domínio do governo pela classe trabalhadora. Informa que a luta pelo poder não é imediata, precisa de uma constante prática, pois 1917 só aconteceu por causa dos conflitos com o czarismo deste 1905, quando perderam a guerra, mas continuaram ativos após a derrota. E ficaram mais fortes após a violência praticada pelo governo contra os trabalhadores indefesos.
Segue Lênin, mostrando as divergências dentro e fora do partido bolchevique, na busca de uma sonhada "pureza" ideológica na política instalada após a Revolução de 1917. Mostra que os moderados, como os mencheviques, e outras facções, eram traidores da causa dos trabalhadores proletários. Entra em detalhes sobre o pensamento dessas correntes. Lênin, usa o exemplo do Comunismo na Alemanha para mostrar o infantilismo das esquerdas, pois existiam muitas diferenças entre a teoria e a prática entre os seus membros, principalmente sobre os acordos com membros da burguesia parlamentar. Outro destaque é sobre o comando no regime comunista, se caberia às massas, que seria a Ditadura do Proletariado ou ficaria a carga do Partido Comunista, que dirigia as massas, que para Lênin estava dividida entre várias classes, e não em uma única classe, como era o desejo do Comunismo. E para se chegar ao fim da divisão de classes teria que acabar com o chamado e famoso corporativismo; lembro de quando começamos a militar na esquerda, em combate ao Regime Militar no Brasil (1964-1985), ainda na década de 1980, como o nosso sindicato falava de corporativismo, ou seja, criticava nossa defesa apenas dos direitos do professores, e não de todos os trabalhadores. Lênin mostra que este processo é lento; não é feito de um dia para o outro como queria nosso sindicato. E dentro desta linha critica os comunistas alemães que não aceitavam participar dos sindicatos reacionários e do Parlamento. Lênin entende que os comunistas deveriam participar de instituições capitalistas para introduzir ideias comunistas dentro delas. Afirma que os sindicatos têm origem no capitalismo, e realça sua importância histórica para garantir direitos trabalhistas, mas os vê como mecanismos típicos do capital, e que devem ser transformados, assim como as corporações para a eliminação das classes sociais. Um texto de Lênin, página 90, comenta sobre os erros cometidos pelos partidos: "A atitude de um partido político perante os seus erros é um dos testes mais importantes e mais seguros da seriedade desse partido e do cumprimento na prática das suas obrigações para com a sua classe e para com as massas trabalhadoras. Admitir abertamente os erros, descobrir as suas causas, analisar a situação que os originou e examinar atentamente os meios de os corrigir: é isto que caracteriza um partido sério, é nisso que consiste o cumprimento dos seus deveres, isto é, educar e instruir a classe, primeiro , e, depois, as massas." Uma lição para os partidos de esquerda no Brasil de hoje, e principalmente para o PT, que nunca admitiu seus erros.
Lênin faz duras críticas aos partidos comunistas alemães por resistirem a acordos e compromissos com outros partidos e instituições, e por isto são chamados de infantis, pois poderiam influenciar seus participantes com o ideal marxista. Ele explicita este pensamento no livro, páginas 106-107: "O erro constitui em se recusar a participar do Parlamento reacionário e burguês e dos sindicatos reacionários, o erro consistiu em múltiplas manifestações dessa doença infantil 'de esquerda' que agora veio à superfície (...)". No Brasil, a esquerda praticou esta infantilidade política da década de 1980 até a primeira década dos anos 2000. Segue o autor analisando os partidos de esquerda na Inglaterra, e suas adesões ou não a acordos com outras às instituições não comunistas, principalmente em relação ao Parlamento Inglês. Lênin termina o livro mostrando claramente a infantilidade das esquerdas ao insistir na construção do Comunismo imediatamente, e na falta de paciência em fazer os acordos necessárias para se infiltrar nas instituições levando a mensagem marxista de combate ao Capitalismo. Não vê as esquerdas como alternativa ao Capitalismo, mas sim o Comunismo construído integralmente por uma nova visão de sociedade, longe das relações democráticas da sociedade ocidental, e seja uma revolução mundial, e afirma: "(...) ... que existem todos os motivos para esperar que o movimento comunista internacional se cure rápida e completamente da doença infantil do comunismo 'de esquerda.' (pág. 139)". Vê os erros do imperialismo durante a I Guerra Mundial como o motivo não doutrinário capaz de impulsionar o comunismo no mundo. Lênin vislumbra o significado do Comunismo puro, e não infantil, ao afirmar que uma liderança deve doutrinar os trabalhadores para sua adesão ao novo regime, enfim, não existe a famosa Ditadura do Proletariado, mas a ditadura de uma liderança sobre toda a população mundial, a partir da Rússia. No Anexo, Lênin é explícito sobre o Partido Único que deve dominar todas as atividades sociais, políticas, econômicas e culturais em nível planetário, eliminando toda a história capitalista, que ele sempre chama de burguesa. No Apêndice Sobre a doença infantil do "esquerdismo" e o espírito pequeno-burguês, Lênin mostra os equívocos de análise de conjuntura das esquerdas e do comunismo de esquerda para a implantação do Comunismo em outros países, e na própria Rússia. Realça que devem utilizar a tecnologia do Capitalismo para a implantação de grandes indústrias na Rússia, e reconhece a inferioridade tecnológica de seu país em relação aos países dos grandes trustes.
Vale a pena ler o livro para se conhecer a evolução política internacional durante todo o século XX e início do XXI, sob a visão de um texto de Lênin escrito em 1920.
terça-feira, 20 de maio de 2025
A Mente Esquerdista - As causas psicológicas da loucura política - Dr. Lyle H. Rossiter
sexta-feira, 24 de janeiro de 2025
História Administrativa do Brasil - Vicente Costa Santos Tapajós
Introdução
No início do livro já se nota a preocupação do autor com a ineficiência do serviço público, imagem construída historicamente. Consequentemente, o autor pretende tentar mudar esta imagem através de informações positivas sobre as ações praticadas pelos governos em benefício das nações e de seu povo, mas é certo que encontrará sérios obstáculos para alcançar seu objetivo. Começa o livro falando do governo de D. Manuel, o Venturoso, ainda no início do século XVI, ou seja, mais especificamente no período do "Descobrimento" do Brasil. Realça que esta fase expansionista contraria a tradição rural de Portugal. Mas a população vai ter de se adaptar a esta nova fase histórica. Mostra um D. João III, sucessor e filho de D. Manuel I, como o típico rei administrador, fator que ajudará em muito a situação do domínio de um enorme império herdado do governo anterior com colônias na África, Índias e Brasil. Um dos principais problemas enfrentados pelo rei é a situação dos judeus em Portugal. A população queria a expulsão dos judeus do país. Este livro faz parte de um conjunto de sete livros iniciais do projeto, que é uma produção literária em 40 volumes sobre a História Administrativa do Brasil. O projeto começa em 1955; dá uma pausa depois da mudança da capital para Brasília, e é retomado em1981. Com a retomada da produção, o foco volta-se para a História da República.
Desenvolvimento
Iniciando o livro, o autor mostra como o rei enfrentou a situação administrativa e política de Portugal e suas colônias. Como primeira medida organizou um "Ministério" composto de pessoas competentes em cada área de atuação como as colônias, as finanças e o governo. D. João III é elogiado por sua competência administrativa e não guerreira, aliás o reino português estava consolidado, agora era só manter a organização de tão extenso território. Quanto aos judeus solicitou várias vezes a instalação do Tribunal da Inquisição em Portugal, tendo sido negado algumas vezes, até conseguir seu intento. Este fato levou a uma paz interna no país, mas as finanças estavam enfraquecidas, por isso, o rei voltou as atenções para a colônia do Brasil.
Por má gestão dos negócios do Reino, D. Manuel morreu na pobreza, pois endividou os cofres públicos e ficou sem condições de liquidar suas dívidas. Mas foi sensato ao deixar conselhos aos futuros governantes para que não repetissem suas ações econômicas, solicitando cuidados com os gastos públicos. D. João III, herdou este panorama na economia. Sua fama de bom administrador lhe deixou condições de enfrentar os problemas deixados por seu antecessor. Na ocasião, Portugal assumiu de vez sua vocação de povo do mar, pois no período tinha feito grandes descobertas marítimas, e enfrentado a invasão de outras nações em suas possessões. especialmente dos franceses. O comércio das Índias estava cada vez mais deficitário, portanto resolveu D. João III, investir no Brasil, uma terra ainda quase desconhecida dos portugueses. Mandou, para iniciar a "colonização", Martim Afonso de Souza com amplos poderes para ocupar e explorar a terra achada.
Martim Afonso de Souza é muito elogiado pelo historiador, não só como gestor, mas também como um homem de ciência; como um renascentista europeu, no estilo dos intelectuais italianos. Era muito amigo de D. João III, a quem ajudou a educar nos negócios do Reino com a morte de seu pai, D. Manuel. No Brasil chega não não só como um explorador, mas também como colonizador, trazendo sementes e plantas para serem cultivadas no Brasil. Suas embarcações são bem comandadas por grandes navegadores. Sua vida é marcada por grandes empreendimentos, tanto nas Índias quanto no Brasil. Alguns historiadores tecem bons comentários sobre sua vida e obra. No Brasil, é acompanhado por muitos navegadores experientes, fator que facilita a exploração de grande parte da costa brasileira, do Nordeste ao Rio da Prata, no extremo sul do país. Resolve iniciar a colonização a partir de São Vicente, em São Paulo, local que oferece condições favoráveis devido, principalmente ao seu clima. Utiliza-se de lideranças já existentes na terra como o português, João Ramalho, ainda uma figura enigmática na História Colonial brasileira. Combate os franceses na costa brasileira com sucesso. Retorna a Portugal a pedido de D. João III, para a implantação de um sistema organizado e particular de colonização no Brasil: as Capitanias Hereditárias.
No início do estudo das Capitanias Hereditárias, este sistema de administração é comparado com o regime feudal na Europa Ocidental, dominante do século X ao XII. O autor utiliza a opinião de alguns historiadores que são unânimes ao afirmar as diferenças essenciais entre os dois sistemas, destacando que a principal diferença é que as Capitanias Hereditárias eram uma instituição capitalista, ou seja, visava lucros, utilizando todos os mecanismos do mercado, inclusive a escravidão. Depois desta introdução, o historiador fala especificamente do surgimento e funcionamento das Capitanias, além de citar sua localização e seus donatários. Martim Afonso de Souza herda a Capitania de São Vicente, mas deixa nas mãos de um amigo para administrar e volta para Portugal. Realça, também os direitos dos donatários sobre a vida da Capitania e seu povoamento. Além dos detalhes sobre a Justiça, as rendas, doações, entre outros, no Sistema de Capitanias. Mostra também o papel de intervenção do Rei no governo dos donatários, que é, na verdade, quase nulo, a não ser na coleta de impostos através de seus representantes escolhidos para o cargo. O autor vê o sistema de capitanias com relativo sucesso, apesar de a História considerar que apenas duas capitanias, as de São Vicente e Pernambuco, prosperaram; afirma o historiador que as demais capitanias também tiveram um desenvolvimento relativo, e não só prejuízos deram aos donatários. Afirma também, que o sistema de capitanias hereditárias era uma fonte geradora de riqueza, e não só de trabalho, desgaste e prejuízo. É otimista quanto à iniciativa administrativa portuguesa no Brasil. Outra questão importante apontada pelo autor é sobre a participação de Martim Afonso de Sousa, que praticamente não administrou a sua capitania, voltando a Portugal, preferiu lutar nas Índias, transferindo sua gestão para outras pessoas de sua confiança. Como fator determinante é a situação econômica do donatário, pois apesar de ser um fidalgo da Corte, não possuía grandes riquezas para investir no Brasil. Esta afirmação contradiz o que falamos para os nossos alunos nas aulas de História, pois Martim Afonso de Sousa é visto como o verdadeiro administrador da Capitania de São Vicente.
Na parte do livro sobre os Governos Gerais, o autor resolve uma questão importante relativa às Capitanias Hereditárias, ou seja, se acabaram ou não, após a criação do sistema de Governo Geral. Nas escolas secundárias nunca se deu destaque a esta questão, simplesmente mudamos o foco de estudo das Capitanias Hereditárias para o Governo Geral. No livro o autor afirma, de forma contundente, que as capitanias continuaram, mas agora com um governo central. É o início da estatização das capitanias, ou seja, passam da posse de particulares para o comando do governo de Portugal. A privatização do sistema não deu os resultados esperados, logo o Estado entra para administrar e solucionar o problema. No início do estudo, o historiador passa a mostrar as condições em que as capitanias estavam e os direitos da nova gestão do território, além da relação com os indígenas, e o poder do rei no novo sistema. Insiste o autor, no uso de documentos da época para dar credibilidade ao seu conteúdo. Continuando o estudo dos Governos Gerais, o autor mostra em detalhes as funções de cada administrador; do Provedor-Mor, do Ouvidor-Geral e seus Auxiliares. Dos padres que vieram na expedição, chefiados por Manuel da Nóbrega. Fala da expedição de chegada de Tomé de Sousa e da cidade de Salvador. Valoriza a ação de Tomé de Sousa como um excelente gestor das finanças do Brasil Colônia.
O autor destaca a administração de Tomé de Sousa nos vários aspectos necessários para uma boa gestão das capitanias. Começa relatando e analisando a administração financeira e econômica do governo. Mostra as dificuldades no pagamento dos trabalhadores para a construção da cidade de Salvador e nas atividades das capitanias. Muitas vezes pagavam com objetos como ferramentas e utensílios. Utilizaram a mão-de-obra indígena, mas os índios não se adaptaram ao trabalho pesado exigido e se revoltavam. Muitos morriam devido a isso. O jesuítas eram contrários à exploração do trabalho indígena, pois dificultava sua ação na catequese, a principal função dos padres no Brasil Colonial. Então recorreram à importação da mão-de-obra negra vinda da África. Provavelmente a partir de 1550, os negros começaram a chegar ao Brasil. Segue, o autor, relatando todas as decisões de Tomé de Sousa ao longo de sua administração e sua relação com D. João III. Tomé de Sousa toma todas as providências para organizar as capitanias para o seu povoamento. É um administrador capaz de acompanhar todos os problemas que teria de enfrentar, sem nenhuma reclamação sobre sua missão no Brasil, que tinha, até pouco tempo deixado ao abandono. Valoriza o trabalho dos jesuítas na catequese, e até na construção de moradias para os colonos.
Sobre o governo de Duarte da Costa o autor analisa mais sua origem, personalidade e seu governo, não se ocupando muito de suas ações. Mostra que seu irmão Álvaro foi seu maior problema, pois seu comportamento excessivamente permissivo atrapalhou as ações do governo, apesar de ser um bom soldado. Teve problemas com o Bispo Pero Fernandes, pois o mesmo fazia duras críticas ao governo, chegando até a enviar carta ao rei, sendo que o mesmo fez o governador, até o Bispo ser enviado a Portugal, mas morreu no caminho de volta atacado pelos índios. Teve problemas com o Provedor Mor, resolvido com a acumulação de funções com o Ouvidor Geral, sonho de Tomé de Sousa. Conseguiu ajuda de Tomé de Sousa com o rei, pois o primeiro governador conhecia os problemas das capitanias no Brasil. Teve problemas com a invasão dos franceses no Rio de Janeiro, com a criação da França Antártica, mas resolveu a situação, tendo os franceses procurado Pernambuco para se instalar. No geral foi considerado um bom governador e uma boa pessoa.
Todos os historiadores consideram Mem de Sá como o melhor Governador-Geral, por seu caráter e ações desenvolvidas no Brasil Colonial. Foi um excelente administrador do recém formado povoamento das capitanias. Combateu os franceses no Rio de Janeiro com a ajuda de seu sobrinho Estácio de Sá, que inclusive fundou a cidade, cujo padroeiro foi São Sebastião. Teve também o apoio dos jesuítas que catequizaram os indígenas, ensinando não só a religião, mas novos costumes mais humanitários, como abolir o canibalismo e o ensino da escrita e da leitura. Manuel da Nóbrega e José de Anchieta tiveram papéis preponderantes em seu governo. Era, Mem de Sá, Desembargador, ou seja, homem de leis, e de ampla cultura, consequentemente a violência foi mínima em seu governo, quanto à punição dos culpados pela Justiça. Governou por um período muito maior que seus antecessores, pois seu bom trabalho impedia sua substituição, apesar de ter pedido para ser substituído por sua idade e cansaço, mas terminou ficando no Brasil até sua morte em 1572. Governou o Brasil por 15 anos, ou seja, um longo período, com sabedoria e competência política e administrativa.
Depois da morte de Mem de Sá, a administração do Brasil foi executada por dois Governadores Gerais; um no norte, com sede em Salvador, e o outro do sul, com sede no Rio de Janeiro, cidade que tinha prosperado muito. O motivo principal da divisão era a grande extensão do litoral brasileiro, fator que dificultava sua administração. Mesmo assim a administração deixou a desejar, e o Brasil voltou novamente a ter um único governante. E logo depois o país ficou muito tempo abandonado, cerca de 10 anos, pois a sucessão do reino português ficou impossível com a morte do sucessor natural ao cargo, consequentemente, Portugal passou a pertencer ao Reino da Espanha, local onde o rei era o principal descendente do monarca português, este é o período chamado de União Ibérica. Como conclusão, o autor faz elogios à administração portuguesa no século XVI, citando inclusive nomes que somaram na construção de um povoamento efetivo no território brasileiro, sendo os três Governadores Gerais elogiados, mais Martim Afonso de Sousa, entre outros. Mostra que o que impulsionou a economia da colônia foi a cultura da cana-de-açúcar, e não o ouro que nunca foi encontrado no período. Elogia a atuação política e administrativa de Dom João III, mesmo percebendo suas dificuldades no início do processo de colonização.
É um livro para professores de História e Historiadores, principalmente pela publicação de extensa documentação oficial do período que garante uma fonte rica para pesquisa.
quarta-feira, 30 de outubro de 2024
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segunda-feira, 30 de setembro de 2024
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sexta-feira, 23 de agosto de 2024
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