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Análise Crítica /Resumo
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Leituras Multidisciplinares sobre a Estrada de Ferro Bahia e Minas
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
A Direita no Hospício da Democracia e a Ditadura do Amor - Paulo Henrique Araújo
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
Foro de São Paulo e a Pátria Grande - Paulo Henrique Araújo
Introdução
Nas "introduções" ficam claros alguns assuntos que interessam ao autor: a visão do que é o Foro de São Paulo, que no início achavam que não existia, depois passaram a menosprezar seu poder, e finalmente, que o Foro de São Paulo existe; o olhar sobre o jornalismo de informação, que conforme o texto já não existe mais, pois toda notícia já sai para a população com seus devidos ajustes feitos pelos profissionais da imprensa a serviço dos poderosos; e conforme Olavo de Carvalho, o que é importante no Foro de São não são as Assembleias, mas o que se decide nas conversas informais dos bastidores, das quais saem as decisões sobre a vida dos países no mundo. Mostra o autor como as esquerdas estão organizadas no mundo em grupos de representantes de vários países. Para caracterizar o projeto das esquerdas cita um trecho de um romance russo do século XIX. Um caos social previsto por Lênin.
Antecedentes do Foro de São Paulo
No primeiro capítulo o autor busca as origens históricas e mais remotas do Foro de São Paulo. Identifica suas origens nas lutas do século XIX e suas ideologias. Mostra que a origem da expressão "Pátria Grande" surge em uma publicação do jornalista argentino Manuel Ugarte em 1924, afirmando também que esta ideia ainda mais remota vem da ação política e militar de Simón Bolívar. Depois de muitas informações passa a explicar a Luta de Classes e o Materialismo Histórico, base teórica do Marxismo, que norteia todo o Foro de São Paulo. Cita textos de vários autores sobre a teoria marxista, entre eles Darcy Ribeiro, o próprio Marx, e até o Papa Pio XII. Sob a ótica do marxismo só com a eliminação da propriedade privada e da luta de classes torna-se possível a criação de uma sociedade sem classes sociais, ou seja, o fim da sociedade ocidental e sua história. E para isto, adota a teoria do Materialismo Histórico; aparato técnico versus relações de produção. Termina o capítulo mostrando as bases para a compreensão do estudo do livro; principalmente os antecedentes da formação da Pátria Grande, em que alguns nomes são importantes como Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e João Goulart, no Brasil, além da Constituição de 1988, que já trazia em seu texto uma visão da unidade política da América Latina.
Antes de iniciar a exposição dos conflitos ocorridos na década de 1960, a partir da Revolução Cubana, o autor faz uma análise do modo de atuar dos partidos de esquerda, especialmente os comunistas e socialistas. Mostra a diferença da prática dos partidos democráticos e dos partidos de esquerda. Os democráticos buscam um mandato definido pelas eleições, enquanto os de esquerda usam o discurso das eleições para implantar gradativamente seu poder permanente, e para isto utilizam de partidos que têm alguma afinidade com sua visão de poder, no Brasil o PT é o principal, os auxiliares são o PSDB, o PSB, o PC do B, o PSOL e o Cidadania, outros também fazem parte da manobra comunista, como o PSD e o PFL (União Brasil), que são chamados de "Companheiros de Viagem". A seguir o autor relata os confrontos na América Latina a partir de Cuba, logo após o ano de 1959. Fidel Castro invade pequenos países, mas sem conseguir muito êxito. Até a própria União Soviética não via em Fidel um comunista, mas apenas um aventureiro, por isso, não deu muito apoio no início de seu governo, pois o líder tinha um temperamento difícil. O autor mostra que ainda na década de 1960 existiram organizações com o perfil e ideias do Foro de São Paulo. A Organização Tri-Continental, criada por Fidel Castro, e a OLAS (Organização Latino-americana de Solidariedade), criada por Allende. Destaca também a capacidade de mudança do discurso comunista ao longo do tempo sem provocar conflitos ou ruptura de sua base. Talvez por combater sempre o domínio capitalista no mundo.
Na década de 1970 ocorrem mudanças significativas na organização e estratégia para expandir a revolução socialista cubana para os países da América Latina, sendo destaque a criação de um centro de treinamento de líderes de vários países em Cuba, com uma estrutura de alto nível para acolher os participantes, inclusive 11 do Brasil. Destaque para a Revolução Sandinista na Nicarágua.
Na década de 1980 o autor faz um estudo sobre a relação da Teologia da Libertação com as ações do PT e das principais lideranças Socialistas da época como Daniel Ortega, Fidel Castro, Lula, Leonardo Boff, Frei Betto e outros. Além da estratégia da Igreja Católica para arrebanhar seguidores para a prática socialista, principalmente as Comunidades Eclesiais de Base, que com o PT nos governos foram descartadas até hoje. Vivi este momento na época, mas sem conhecimento dessa realidade, e jamais imaginar que a Teologia da Libertação teve sua origem ainda na década de 1930 na Europa. Continuando o estudo da década de 1980 sobre os antecedentes do Foro de São Paulo, o autor mostra, em detalhes, como ocorreu a aproximação entre Cuba, o narcotráfico e o terrorismo. O dinheiro arrecadado era usado para financiar grupos revolucionários em toda a América Latina.
O Foro de São Paulo
O Foro de São Paulo é o resultado concreto da decadência do Comunismo Soviético, e consequentemente da influência de suas ideias e práticas nos outros continentes, pois o marxismo sempre teve como característica principal sua expansão pelo mundo para acabar com o domínio do capitalismo. O Brasil foi escolhido como o foco irradiador e substituto da União Soviética, primeiro na América Latina, pois já tinha fortes relações com Cuba através do PT e de membros da Igreja Católica, principalmente Frei Betto e Dom Paulo Evaristo Ars, inclusive tiveram reuniões em Itaici sede da CNBB (SP), com a cúpula do Partido Comunista Cubano e membros do clero, antes da eleição de 1988.
No início o encontro não tinha a intenção de virar o Foro de São Paulo, como afirma o autor, textualmente: "O Encontro de três dias animou os participantes, que decidiram pela criação do Foro de discussões políticas, ao contrário do que tinha sido declarado na convocatória para o evento." (pág. 130).
A seguir o autor dá informações importantes sobre as lideranças "comunistas" na América Latina, principalmente sobre Fidel Castro e Hugo Chaves, destacando que Lula nunca foi considerado um comunista, nem pelo PT, conforme já informado no livro A Mosca Azul, de Frei Betto. Em conversa do religioso com Fidel Castro, o líder cubano nunca viu em Lula um líder comunista. Vale lembrar, que mesmo nos dois mandatos de Lula na Presidência do Brasil, ele não ofereceu ajuda a grupos revolucionários da América Latina, apenas ao MST no Brasil.
O autor dedica um capítulo inteiro sobre as FARC e suas relações com o Foro de São Paulo e o Brasil, principalmente na figura de Lula e do PT. Utiliza ampla documentação inédita sobre os assuntos tratados, inclusive uma longa declaração das FARC de apoio ao Foro de São Paulo. Seguindo suas informações e análises, o livro foca nas relações entre o primeiro governo Lula e os países que compõem o Foro de São Paulo, especialmente a Venezuela e a Bolívia. Mostra o apoio financeiro dado a estes países, e sem nenhum retorno para o país. A esquerda, até 2011, toma o poder em 14 países da América Latina. Ressalta que a Direita no Brasil está atrasada em 35 anos e aponta a solução para sua recuperação: "Uma organização intelectual, partidária e, acima de tudo, de valores comuns, é o que dará sustentação para ações políticas que possam trazer frutos nesta batalha." (Pág. 177). Esta, conforme o autor, é a solução para combater o Foro de São Paulo, e não só o processo eleitoral.
Sobre o "Mais Médicos", o autor dedica também um capítulo. Mostra a farsa do trabalho, de formação e da remuneração dos médicos. Com ampla documentação e depoimentos revela como era a formação dos médicos em Cuba, ou seja, com um currículo mínimo, para um atendimento que interessava ao governo cubano, portanto não conseguiam revalidar seus diplomas no Brasil. A Presidente Dilma resolveu este problema tirando a necessidade de revalidar os diplomas. Do salário dos médicos era retirado até 90%, que eram enviados para o governo de Cuba, além do controle de suas atuações no Brasil, para o exercício da função. Os médicos cubanos não podiam trazer suas famílias, que ficavam reféns do governo castrista. Outros países também "colaboraram" com Cuba com a iniciativa, até a Itália participou da farsa. Antes do início do governo Bolsonaro, Cuba retirou os médicos do Brasil. Agora a Colômbia é o foco de estudo com as idas e vindas dos participantes dos governos até o início da década de 20 do ano 2000. As FARC continuam sendo o motivo maior de preocupação de todos os governos.
A Operação Lava-Jato e a construção do Porto Mariel em Cuba, são estudados pelo autor como instrumentos para financiar a revolução comunista no mundo, pois suas propinas são utilizadas para garantir a eleição de candidatos do Foro de São Paulo, e não apenas fraudes para enriquecimento ilícito, como a maioria pensa, daí a afirmativa de Lula de que é "O homem mais honesto do mundo." Tudo amplamente documentado. Na crise do petróleo venezuelano, Maduro recebe ajuda de Putin e de Lula. O Foro de São Paulo virou a instância de socorro aos países autoritários (leia-se comunistas), por parte de alguns países como a Rússia e o Brasil. E a violência na Venezuela é negada por Lula com suas doentias "narrativas". O autor cita o nome e uma pequena biografia dos mortos nas manifestações de rua, geralmente jovens, além de depoimentos de quem viveu os fatos.
Os fatos da história recente na América Latina são tratados no livro, decisão que facilita a revisão, e até o conhecimento pelo leitor do que tem acontecido em nosso continente, fatos que a mídia tradicional, muitas vezes, não divulga. Começa pela Argentina, e fica notória a busca do controle do Judiciário por parte de alguns governos de esquerda; sabendo-se que este controle faz parte da agenda do Foro de São Paulo. No Brasil acontece o inverso; o Judiciário controla o Poder Executivo. Quanto ao governo Dilma, o autor analisa o conjunto dos governos petistas por sua péssima gestão. Sempre envolvidos em corrupção. A seguir o autor mostra como a eleição de Trump marcou o início da derrocada esquerdista na América Latina, citando, inclusive, os Presidentes eleitos em cada país. Evo Morales é obrigado a renunciar em 10 de novembro de 2019, do governo da Bolívia, em sua tentativa de continuar no cargo (eternamente). As Forças Armadas agem para sua renúncia.
O renascimento do Foro de São Paulo tem como primeiro impulso a situação da Venezuela. Neste processo a ação da Rússia é fundamental, além da omissão dos militares brasileiros. Maduro volta ao poder quando já estava saindo da Venezuela em fuga para Cuba, mas Putin ofereceu ajuda imediata para sua permanência, e novamente foi instalada a Ditadura. No Brasil, a prisão de Lula é motivo de ações do Foro de São Paulo, inclusive com visita de governantes estrangeiros à prisão do ex-presidente. Na Argentina a esquerda continua influenciando todos os governos, reafirmando as decisões do Foro de São Paulo. Na Bolívia a "receita" do Foro de São Paulo é aplicada na íntegra. Veja os motivos da prisão da ex-presidenta! Retrato falado de Jair Bolsonaro no Brasil. Agora é a vez da Colômbia com suas narrativas mentirosas de governo, copiadas do Foro de São Paulo. No Chile foi a mesma tentativa de se implantar uma ditadura com nome de democracia através de uma nova Constituição. Mas o povo reagiu heroicamente. Sobre Cuba, a farsa e a violência física e jurídica dominam.
Com a "vitória" de Lula nas eleições de 2022, o Foro de São Paulo toma fôlego, e maduro vira a estrela maior da esquerda na América Latina. A partir da sua eleição, Lula faz vários acordos de cooperação com vários partidos comunistas no mundo. As demais informações são do conhecimento público pela Internet, como o vice de Lula, em solenidade no Irã. No Peru o Foro de São Paulo é obrigado a interferir devido ao péssimo governo de um de seus representantes. Até Evo Morales (ex-presidente da Bolívia) participou dos conflitos que terminaram com a posse da vice-presidente. Para a realização do Foro de São Paulo em Brasília, depois da eleição de Lula, houve toda uma preparação em outros países para que o evento transcorresse normalmente. Em defesa dos países esquerdistas, os palestrantes nunca citam os crimes cometidos por seus apadrinhados. Como disse o autor, mudando o tom da conversa: "O projeto de Pátria Grande não existe,..." (pág. 324). Eu também, em tom de ironia, afirmo: "Nunca existiu Comunismo no mundo", ideologia que Lula passou a defender.
Na reunião do Foro de São Paulo realizada em Brasília, logo após Lula assumir o poder, o livro aponta algumas diretrizes apontadas pelos líderes do encontro, mostrando as principais pautas para combater os governos chamados de "Direita". Nos discursos bem elaborados, mostram que apenas a esquerda está certa em tudo, e que os demais governos fabricam discursos para enganar o povo. Mostra o texto, como o MST está espalhado pela América Latina em sua prática de desestruturar o Capitalismo. Em texto de Olavo de Carvalho, ele mostra que estes discursos são apenas formalidades, pois as decisões para controlar os países acontecem nos corredores do encontro. No geral, o Foro de São Paulo foi um desastre para Lula ao defender Maduro, pois sofreu graves contestações ao seu discurso de democracia na Venezuela. A esquerda nunca assume seus pecados, mas os documentos de instituições sérias não mentem sobre suas atrocidades contra seus cidadãos.
Nas conturbadas eleições na Venezuela, Maduro usa de todos os artifícios para continuar no poder. As fraudes são permanentes, mas mesmo assim, Rússia e China sempre dão apoio. O Brasil, através de Lula e o PT dão apoios ambíguos em notas oficiais. E o Foro de São Paulo fica cada vez mais dividido com os apoios e restrições à ditadura de Maduro. E para encerrar, o autor afirma que mesmo com as divergências constantes entre as lideranças do Foro de São Paulo, este continua poderoso, pois as esquerdas esquecem as divergências e continuam com novas estratégias para combater a classe conservadora no continente latino-americano, mesmo que os governos de esquerda sofram alternância no poder. A questão para sua superação é longa e trabalhosa, pois exige a formação de uma nova cultura conservadora em que seus valores sejam defendidos com consciência e empenho intelectual de uma população com novas lideranças, conclusão mesclada de ideias do autor e minhas. Nos apêndices (VII). O autor entra em detalhes sobre a história e a prática dos grupos revolucionários da América Latina e a importância do Foro de São Paulo neste processo. Interessante notar como estes grupos atingem o seu auge, e se dissolvem entrando para a legalidade, e os mais radicais criam novos grupos ou entram para grupos já existentes. Portanto não existe uma unidade ideológica dentro destes grupos. Lembro de um amigo meu me combatendo quando disse a ele que conforme Frei Betto em seu livro A Mosca Azul; que o maior erro do PT foi abandonar a base. Ele me respondeu: "A base estava dividida." Mas na hora de votar possuem unidade, pois são convocados para votar.
Recomendo o livro para uma profunda reflexão política através das muitas informações que contém o livro de nossa história recente, e análises do autor/historiador.
quinta-feira, 18 de setembro de 2025
O Modo Petista de Governar - Organizador: Jorge Bittar
domingo, 17 de agosto de 2025
Os Bispos Católicos e a Ditadura Militar Brasileira - A Visão da Espionagem - Paulo César Gomes
Introdução
quarta-feira, 16 de julho de 2025
Esquerdismo, doença infantil do comunismo - Vladímir Ilitch Lênin
Introdução
Na Apresentação do livro, é explicado todo o processo de sua construção, pois foi na verdade, um texto de abertura da II Internacional Comunista acontecida em 1920. Lênin acompanhou toda sua produção na gráfica. A intenção era criar diretrizes para a expansão do comunismo para o mundo, logo trata de suas estratégias e táticas para tomar o poder mundial - uma espécie de "Bíblia" para orientação a seus seguidores em todos os países. Mas logo de início já perceberam que os trabalhadores não aderiram ao Comunismo, como esperavam e afirma o texto; mesmo que haja alguma discordância, o que é normal; "As expectativas que a liderança bolchevique tinha depositado no proletariado europeu de que, cumprindo sua 'missão histórica', ele correria para ajudar seus camaradas russos em dificuldade, sofreram um grande revés." (pág. 11). A Apresentação do livro é longa, expondo vários subtítulos para o desenvolvimento do pensamento de Lênin sobre a construção e evolução do Comunismo, realçando que a intenção de Lênin era a expansão do Comunismo pelo mundo, e para isto teria que fazer alianças com setores, para o que ele chama de "pequena burguesia", insistindo que os líderes da revolução teriam de fazer uma análise de conjuntura para a construção de acordos, e como o livro foi divulgado no Brasil em 2025, cita os casos de Cuba e Venezuela, onde o chamado imperialismo americano faz suas intervenções. Lênin, fazia críticas de suas próprias ideias, por isso, após a publicação de suas condições para a expansão da revolução, afirmou que, elas poderiam não realizar o resultado esperado, pois eram "russas até a medula." Vê o Marxismo não como um dogma, mas um guia para a ação, adaptado a uma realidade prática, a chamada práxis, coisa que as esquerdas não faziam e nem fazem hoje em dia, partindo apenas de teorias cartesianas positivas. Daí, o "infantilismo" das esquerdas. Lênin era um estrategista nato, via os detalhes das condições sociais de sua época. Mostra que os comunistas deveriam observar cada brecha, ou indecisões, para infiltrarem com suas ideias. Hoje tentam fazer isto, infiltrando em todas as instituições das nações, até no Vaticano, mesmo que as circunstâncias sejam outras. Sobre os erros do Partido Comunista, Lênin aponta dois muito importantes para os dias atuais, praticados pelas esquerdas, principalmente pelo PT, no Brasil, ou seja, só fazer coligações com partidos de mesma ideologia, situação que tem se modificado, talvez como consequência deste erro ou da perda de credibilidade popular; e não aceitar críticas aos erros cometidos em sua gestão. Lênin afirma que os erros devem ser avaliados e corrigidos, e nunca negados. Os partidos de esquerda no Brasil querem ser puros, livres de corrupção e outros males, e que apenas os partidos de direita promovem estes desvios. Quando questionados, desviam o assunto para aquilo que fizeram de melhor, mesmo que estas ações tenham sido um "tiro no pé", pois punem o próprio governo. Lênin vê a expansão do Comunismo como um processo em que o debate com a população se faça para conseguir seu apoio, e não por imposição governamental. Mas como sabemos impôs o Comunismo na Rússia praticando ampla violência contra seus opositores. Mas suas lições são importantes para os partidos de esquerda hoje, que são considerados infantis por Lênin, pois não conhecem a teoria e a prática comunistas; esquecem do estudo da realidade nacional e internacional para uma prática que provoque a tomada do poder por uma vanguarda e as massas populares conscientes.
Desenvolvimento
Já nos primeiros capítulos, Lênin insiste na Ditadura do Proletariado, que foi uma expressão criada por Marx, em uma de suas cartas. Nesta Ditadura do Proletariado aponta uma questão importante para o combate ao capitalismo e a burguesia: o fim das pequenas propriedades. Daí a origem das grandes Cooperativas agrícolas (Kolkhoses) e das fazendas estatais (Sovkhoses). Reforça que para a implantação desse novo governo, haverá muita luta, sofrimento, ação parlamentar e até terrorismo. Marca o início da luta partidária dos bolcheviques em 1903, gastando quinze anos para a implantação da revolução. Realça o poder do cizarismo e a persistência do partido nestes quinze anos, fator que nunca ocorreu ao longo da história. Revela a repetição do discurso, mas acha necessária esta prática. Mostra também que as lutas do partido são sempre diferentes em cada situação, logo exigem uma análise e estudo constantes de conjuntura. Lênin segue sua análise da situação política de sua época, num permanente elogio da ação e ideologia dos Bolcheviques, explica sua prática diferenciada dos demais partidos, dos quais dá vários nomes e significados, mas todos apontados como partidos reformistas e não revolucionários. Defende a prática dos Bolcheviques nos parlamentos, e de formas legais e ilegais para chegarem ao poder. Insiste na famosa luta de classes, em que os interesses são divergentes, e defende ostensivamente o domínio do governo pela classe trabalhadora. Informa que a luta pelo poder não é imediata, precisa de uma constante prática, pois 1917 só aconteceu por causa dos conflitos com o czarismo deste 1905, quando perderam a guerra, mas continuaram ativos após a derrota. E ficaram mais fortes após a violência praticada pelo governo contra os trabalhadores indefesos.
Segue Lênin, mostrando as divergências dentro e fora do partido bolchevique, na busca de uma sonhada "pureza" ideológica na política instalada após a Revolução de 1917. Mostra que os moderados, como os mencheviques, e outras facções, eram traidores da causa dos trabalhadores proletários. Entra em detalhes sobre o pensamento dessas correntes. Lênin, usa o exemplo do Comunismo na Alemanha para mostrar o infantilismo das esquerdas, pois existiam muitas diferenças entre a teoria e a prática entre os seus membros, principalmente sobre os acordos com membros da burguesia parlamentar. Outro destaque é sobre o comando no regime comunista, se caberia às massas, que seria a Ditadura do Proletariado ou ficaria a carga do Partido Comunista, que dirigia as massas, que para Lênin estava dividida entre várias classes, e não em uma única classe, como era o desejo do Comunismo. E para se chegar ao fim da divisão de classes teria que acabar com o chamado e famoso corporativismo; lembro de quando começamos a militar na esquerda, em combate ao Regime Militar no Brasil (1964-1985), ainda na década de 1980, como o nosso sindicato falava de corporativismo, ou seja, criticava nossa defesa apenas dos direitos do professores, e não de todos os trabalhadores. Lênin mostra que este processo é lento; não é feito de um dia para o outro como queria nosso sindicato. E dentro desta linha critica os comunistas alemães que não aceitavam participar dos sindicatos reacionários e do Parlamento. Lênin entende que os comunistas deveriam participar de instituições capitalistas para introduzir ideias comunistas dentro delas. Afirma que os sindicatos têm origem no capitalismo, e realça sua importância histórica para garantir direitos trabalhistas, mas os vê como mecanismos típicos do capital, e que devem ser transformados, assim como as corporações para a eliminação das classes sociais. Um texto de Lênin, página 90, comenta sobre os erros cometidos pelos partidos: "A atitude de um partido político perante os seus erros é um dos testes mais importantes e mais seguros da seriedade desse partido e do cumprimento na prática das suas obrigações para com a sua classe e para com as massas trabalhadoras. Admitir abertamente os erros, descobrir as suas causas, analisar a situação que os originou e examinar atentamente os meios de os corrigir: é isto que caracteriza um partido sério, é nisso que consiste o cumprimento dos seus deveres, isto é, educar e instruir a classe, primeiro , e, depois, as massas." Uma lição para os partidos de esquerda no Brasil de hoje, e principalmente para o PT, que nunca admitiu seus erros.
Lênin faz duras críticas aos partidos comunistas alemães por resistirem a acordos e compromissos com outros partidos e instituições, e por isto são chamados de infantis, pois poderiam influenciar seus participantes com o ideal marxista. Ele explicita este pensamento no livro, páginas 106-107: "O erro constitui em se recusar a participar do Parlamento reacionário e burguês e dos sindicatos reacionários, o erro consistiu em múltiplas manifestações dessa doença infantil 'de esquerda' que agora veio à superfície (...)". No Brasil, a esquerda praticou esta infantilidade política da década de 1980 até a primeira década dos anos 2000. Segue o autor analisando os partidos de esquerda na Inglaterra, e suas adesões ou não a acordos com outras às instituições não comunistas, principalmente em relação ao Parlamento Inglês. Lênin termina o livro mostrando claramente a infantilidade das esquerdas ao insistir na construção do Comunismo imediatamente, e na falta de paciência em fazer os acordos necessárias para se infiltrar nas instituições levando a mensagem marxista de combate ao Capitalismo. Não vê as esquerdas como alternativa ao Capitalismo, mas sim o Comunismo construído integralmente por uma nova visão de sociedade, longe das relações democráticas da sociedade ocidental, e seja uma revolução mundial, e afirma: "(...) ... que existem todos os motivos para esperar que o movimento comunista internacional se cure rápida e completamente da doença infantil do comunismo 'de esquerda.' (pág. 139)". Vê os erros do imperialismo durante a I Guerra Mundial como o motivo não doutrinário capaz de impulsionar o comunismo no mundo. Lênin vislumbra o significado do Comunismo puro, e não infantil, ao afirmar que uma liderança deve doutrinar os trabalhadores para sua adesão ao novo regime, enfim, não existe a famosa Ditadura do Proletariado, mas a ditadura de uma liderança sobre toda a população mundial, a partir da Rússia. No Anexo, Lênin é explícito sobre o Partido Único que deve dominar todas as atividades sociais, políticas, econômicas e culturais em nível planetário, eliminando toda a história capitalista, que ele sempre chama de burguesa. No Apêndice Sobre a doença infantil do "esquerdismo" e o espírito pequeno-burguês, Lênin mostra os equívocos de análise de conjuntura das esquerdas e do comunismo de esquerda para a implantação do Comunismo em outros países, e na própria Rússia. Realça que devem utilizar a tecnologia do Capitalismo para a implantação de grandes indústrias na Rússia, e reconhece a inferioridade tecnológica de seu país em relação aos países dos grandes trustes.
Vale a pena ler o livro para se conhecer a evolução política internacional durante todo o século XX e início do XXI, sob a visão de um texto de Lênin escrito em 1920.
terça-feira, 20 de maio de 2025
A Mente Esquerdista - As causas psicológicas da loucura política - Dr. Lyle H. Rossiter
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